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O passarinho desastrado.


Publicada em: 16/03/2012 13:51
por: Hélio da Rosa Machado

                  A vida é cheia de surpresas.

                  Dia desses, estava eu concentrado em meu labor, quando, de repente. ouvi um barulho de algo que bateu no vidro de minha janela.

                  Ao apurar o ocorrido constatei que um João de Barro havia dado um vôo rasante e, certamente, por descuido, não percebeu o vidro e cabou pendendo sua vida.

                  O episódio não poderia ser descrito, senão, desta maneira:

 

PASSARINHO KAMIKASI

 

(Hélio da Rosa Machado)

 

 

O título sugere uma ação extraordinária, pois o termo Kamikasi está ligado aos pilotos japoneses que, destemidos, conduziam seus aviões de guerra rumo ao fim arrebatador, atropelando os inimigos e morrendo como heróis de guerra.

 

Pois é, num horário normal de expediente no meu órgão de labuta, eis que, inesperadamente, ouviu-se um ruído externo no vidro da janela, como se alguém estivesse jogando qualquer obstáculo rumo àquela vidraça. Fui apurar as razões daquele barulho e constatei que um pobrezinho de um “João de Barro” estava estatelado ao chão, dando os últimos suspiros de um ser vivo. Suas garras se mexiam pela última vez e por alguns segundos pararam definitivamente de oferecer algum resquício que pudesse presumir algum aceno vital. Tinha morrido o pobre do passarinho!

 

Refleti sobre o acontecido e verifiquei que o destino também toma as rédeas de outros seres vivos, conduzindo-os ao fim inevitável. Ora, um passarinho como aquele que tem vôo tão preciso e tão ligeiro não foi capaz de desviar-se do buraco incolor que fazia obstáculo ao seu trânsito pelos ares.  Que destino foi esse, hem! Naqueles segundinhos que saiu do seu habitat verde e quis ingressar por um novo caminho, acabou chegando a uma encruzilhada inexorável e encontrou a morte.

 

É de se tirar esse exemplo e transportá-lo para a vida dos humanos.  Fica a evidência de que a vida é uma incerteza constante. A qualquer momento um obstáculo qualquer se põe à nossa frente. A fragilidade do nosso corpo pode levar à perda dos traços vitais. É como lembrar o motociclista que conduzia tranquilamente a sua moto por uma avenida de trânsito lento e calmo, mas foi interceptado por uma linha de pipa com cerol e teve morte quase instantânea.

 

Com tantos exemplos desse porte será que é possível imaginar que ainda existam pessoas que não acreditam em Deus? Como vamos explicar essa nossa dependência do acaso? Penso; logo,  chego à conclusão de que qualquer um que não tenha fé nas questões transcendentais é um pobre coitado que ficará perambulando pelo cosmos quando chegar essa hora verdadeira e intransponível.

 

Neste momento, o “João de Barro” deixou de pertencer à natureza que serve à raça humana. Os poetas e os músicos já não podem mais lhe agradar com seus versos e seus paradoxos em torno da sua existência, falando das traições e das amadas que se foram.

 

O passarinho se tornou num amontoado de penas e carne fria sem sentido para a vida. Quisera eu poder compor uma música em homenagem a sua despedida, dizendo que ele foi um pássaro importante e que deixarás saudade. Deixará sua casinha na árvore como símbolo de uma vida de regras e de costumes, mas não poderá mais carregar o barro para construir sua morada. Certamente outros pássaros de sua espécie irão desfrutar do seu lar e continuar sua sina de passarinho das chuvas e construtor nato da floresta. Mas ele, com todas as suas particularidades e proezas, foi-se rumo ao incógnito da existência.

 

 Olho, para ele, pela última vez e o vejo numa posição de inatividade, rodeado por um misto de serenidade e de silêncio. Sua plumagem marrom reflete em nossas pupilas a amargura de uma despedida. Ele dorme um sono profundo e mordaz, como se não quisesse mais fazer parte deste mundo, numa conformidade com a sua realidade palpável e destrutível. Irá fazer vezes com a indiferença das coisas e cairá no esquecimento tão logo chegue o anoitecer, pois, outros pássaros; outros Joãos de Barro irão perfazer os céus, mostrando que a natureza se renova.

                

 



Imagens

O periquito herdou a mansão do João de Barro.

Comentários (1)

Enviado por: VETERANO, em: 16/03/2012 15:59
PARABÉNS HÉLIO PELO TEXTO. Eu já passei por uma situação bem parecida como esta, mas o melhor, é o final da minha história, meu passarinho se recuperou após um tratamento e uma vez por MÊS ele voa em busca das frutas, pelos corredores do TJ.RSRSRSRSRSR. Não é como antes, mas ele voa, meio descaido porque sua autonomia não é mais a mesma.

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