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Discurso em homenagem a Delson Machado


Publicada em: 17/04/2012 12:43
por: Hélio da Rosa Machado

Falar do próprio pai não é coisa simples.

Talvez seja coisa fácil.

Mas, muita complexa,

porque reúne sentimento,

ternura,

amor.

 

UM HOMEM MODELO

 

Meu querido pai faz 80 anos. Chegou aqui, com saúde e com disposição, graças à sua perseverança em prol do trabalho. É incansável, sob o ponto de vista da luta e do empenho no que ele se dispõe a realizar. Um batalhador em todos os aspectos. Uma pessoa modelo para as novas gerações.

Não é qualquer pessoa que pode ser considerada modelo existencial, cuja figura humana pode ser citada como exemplo para as gerações vindouras.  O meu pai representa esse modelo.

Reconheço que sou suspeito para incluí-lo nesse perfil de homem modelo. Entretanto, não isso apenas por razões sentimentais, já que a suspeição a que me refiro poderia soar demagoga se falasse apenas como filho, sem a menção dos atributos inerentes à personalidade de Delson Machado.

Assim, afastando-me dessa particularidade de filho, posso, sim, na qualidade de escritor, enumerar todas as qualidades que vejo na conduta e no proceder deste homem, a quem conheço e admiro há mais de meio século. Todo esse tempo da história é que me permite narrar os feitos que enobrecem e engrandecem a figura do aniversariante de hoje.

Meu pai reúne na sua personalidade três atributos que considero essencial na vida de um ser humano.

Todos que passam em frente à chácara 29, localizada na colônia estabelecida após a passagem da ponte sobre o rio aquidauana, devem ter notado que ao lado do portão de entrada está simbolizada a marca “Machadinho”, fincada em uma sustentação de concreto que ampara um disco de arado, onde está desenhada a figura de um machado.  O Machado representa o laço forte que amarra as atitudes do meu pai.  Ele foi desbravador e os machados sempre lhe acompanharam na luta: O Machado mais importante sempre esteve gravado no próprio nome e, o outro, sempre esteve nas mãos de um homem trabalhador. Entretanto, hoje, ouso fazer um acréscimo naquele monumento, para acrescentar ao lado do machado, três letras maiúsculas, que são:  L. R. S.

Essas letras vão passar a fazer parte do símbolo “Machadinho” que ali já se encontra.   Doravante, peço que todos os amigos passem a enxergar aquelas três letras como atributos positivos de meu pai. Esses exemplos de vida, meu pai ensinou a honrá-los durante toda sua existência.

O “L” representa a sua LEALDADE.  Hoje em dia essa referência humana chamada lealdade é uma coisa muito importante no seio familiar e no contexto social. Meu pai é daquele tempo em que a palavra valia mais que o diploma. Sempre foi alguém em quem se pode confiar. Na sua vida de altos e baixos, jamais ouvi um só rumor que pudesse macular a sua índole e a sua honra. Sempre saldou seus compromissos em dia, para não deixar dúvida sobre a idoneidade do seu negócio. É um homem absolutamente confiável.

O R” representa a sua índole de RESPONSABILIDADE. Trata-se de um atributo ligado com o trabalho e com a capacidade de desenvolver projetos que sempre se transformaram em realidade. O primeiro marco dessa responsabilidade foi propiciar estudos aos filhos para que estes pudessem ter uma vida digna. Aqui mesmo, nesta comunidade, há um feito significativo dessa qualidade do meu pai.  Foi ele quem idealizou e planejou deixar seus companheiros mais perto de um templo, onde todos pudessem expor sua fé e os seus laços religiosos. Foi através da sua mão forte e seu alto empenho que, juntamente com seus parceiros da comunidade, surgiu esta igreja onde hoje festejamos seus oitenta anos. 

Hoje, quando meu pai curte sua aposentadoria na companhia dos senhores e das senhoras desta região, creio que ele foi capaz de demonstrar que não basta mostrar o instrumento de luta, tem de arregaçar as mangas, para poder mostrar sua obra. Ele também conseguiu a força de muitos braços desta comunidade que lhe foram estendidos quando solicitados. Isso demonstra que até na hora de escolher os amigos ele é capaz de selecionar com competência.  Neste mundo tão disputado e cheio de percalços não são todos os homens que conseguem realizar o que prometem. Entretanto, meu pai é um desses homens que ‘põe a mão na massa’ e não têm medo do trabalho.

O “S” representa a sua SIMPLICIDADE que se harmoniza com sua humildade. Meu pai sempre foi homem simples, da roça,  dos trabalhos de carpintaria,  das suas obras salutares de engenharia rústica e rudimentar.  Na sua vida ativa, na sua profissão, serviu ao Município de Amambai dando passagem para o escoamento das plantações e do gado, ao edificar pontes de madeiras que resistiam ao tempo e as intempéries.

Foi nessa idéia de simplicidade que meu pai se aposentou e veio morar ao lado da natureza. Creio que sua ótima saúde se deve ao fato de dormir com a calma do escurecer sertanejo e de acordar com os ruídos do amanhecer, ouvindo os pássaros, o barulho do rio, o canto do galo carijó e todos os sons matutos que a vida do campo é capaz de proporcionar. Nessa sinfonia, ao lado da natureza, o meu pai tem conseguido associar-se à simplicidade dos dias calmos que movem a vida sertaneja.

A história do meu pai lembra trechos bíblicos, pois Jesus teve um pai carpinteiro e nem por isso deixou de ser o maior benfeitor do mundo. Talhar a madeira e fazer dela algo acabado e bonito, não é profissão para muitos, por ser exceção ao alcance de poucos. Meu pai foi um engenheiro rudimentar, que não freqüentou banco de escola, mas, jamais deixou suas obras ruírem.  Ele construiu casas, pontes, igrejas, mas não há uma só notícia de que essas obras sofressem censuras, a não ser pelas rusgas do tempo. Seus feitos lembram Aristóteles: “DÊ-ME UMA ALAVANCA E UM PONTO DE APOIO QUE LEVANTAREI O MUNDO”.

Por todas essas razões, sinto-me lisonjeado e orgulhoso, por ser a pessoa a estar prestando esta homenagem, em nome de nossa família, em nome dos meus amigos e, em nome dos amigos de meu pai.

 

Agradeço à Clemilda, esposa do meu pai, por ela ter sido o braço forte a acompanhá-lo em todos os momentos de sua vida. Sua presença constante e sua companhia tem sido o maior elixir para que meu pai, aos seus 80 anos, ainda esteja forte e cheio de saúde. Foi a Clemida que, depois de minha ter ido estar com Deus, quem apareceu como uma jóia para substituir a inesquecível Daicy da Rosa Machado. A memória de minha mãe ainda está viva em mim e acredito que também na lembrança de todos aqueles que a conheceram. Ela esteve com meu pai por um período de cerca de 30 aos. Ela também foi uma heroína, que, enquanto esteve encarnada, com a ajuda de meu pai, fez acontecer em minha vida e na vida de meu irmão Aldo. Nós dois temos muita honra de sermos filhos de Daicy da Rosa Machado e de Delson Machado.

Lembro, também, a presença nesta festa do grupo KANTULIVRE que veio prestigiar este evento. Um grupo como poucos neste Estado.  Seu repertório nos aproxima ainda mais do campo e da vida que meu pai sempre levou. São canções regionais que encantam, com melodias fronteiriças que mostram a grandeza do nosso Estado e da nossa Nação. Essas melodias nos tornam homens rurais.  Agora sei o porquê de ter aprendido a gostar de gêneros como: rasqueados, vanerões, polcas paraguaias e chamamés correntinos. Gosto desses gêneros musicais porque tive um pai que me ensinou a escutá-los. Gosto dessas músicas porque aprendi que mais vale uma vida de caipira feliz do que uma vida de rico esnobe.

Agradeço ao bom Deus por Ele estar nos reservando esta data inesquecível. Espero que Ele ainda nos conceda muitos anos ao lado deste homem incansável e trabalhador. Agradeço, também, a todos que aqui compareceram para dar um abraço no meu pai, seja parente ou não, pois sei que todos sabem que estão diante de um homem exemplar.

 



Imagens

Delson Machado e os netos.

Comentários (1)

Enviado por: k10, em: 17/04/2012 16:44
Parabéns ao "Seu Delson", que Deus permita que ele continue com saúde e muita força. Uma das coisas mais lindas na vida da gente é ver um filho declarar amor pelo pai, pela mãe, por um irmão e prestar uma homenagem como o Hélio e os familiares prestaram ao Machado Pai. Valorize todos os momentos que tiver oportunidade de estar ao lado dele, pois a nossa vida é muito curta, e eu, como nimguem, sei o quanto faz falta meus velhinhos em nossa vida. Meu querido pai se estivesse vivo, faria 102 anos e minha querida mãe 94, mas creio que aproveitei muito a vida ao lado deles. Parabéns mais uma vez.

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