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Homenagem à colônia paraguaia amambaiense


Publicada em: 01/11/2012 16:29
por: Hélio da Rosa Machado

                              Aproveito que estamos 'dando um tempo' nos assuntos futebolísticos, em razão do final de semana prolongado, para fazer homenagem aos irmãos paraguaios.

Acredito que aqui neste site deve haver muitos interioranos que ao ler os episódios se lembrarão de outros paraguaios que moravam em seu torrão natal.

Faço chegar aos amigos internautas pequenas histórias de paraguaios que viviam em Amambai, há muito tempo, quando lá eu habitava pelos idos de 1970:

                     OS

PARAGUAIOS

AMAMBAIENSES

 

Nossa queridíssima Amambai, em minha época, lá pelos idos de 1960 a 1970, tinha uma colônia de paraguaios que, em face da proximidade com o vizinho país estrangeiro, eles acabavam estabelecendo residência em nossa cidade crepúsculo. Nesse contingente, minha lembrança permite citar pessoas como: Coliante, Cachi (ou Caxi), Benitez, Marcemílio, Antônio Delgado e muitos outros.  Perdoe-me os parentes se estou escrevendo os nomes em desacordo com a grafia correta. Sucede que faz muitos anos que não frequento minha cidade natal e, por conseguinte, perdi um pouco a identidade contemporânea que me permitiria ser mais exato nas citações.

Devo ter esquecido quanto a alguns deles, já que não eram poucos. Entretanto, são esses que citei que desejo homenagear nesta matéria, já que são eles que vêm à memória neste instante.

Cada um deles construiu a sua história em Amambai, como é o caso de o Antônio Delgado que se não me falha a memória era agrimensor, mas, frequentou as bancadas escolares como professor ministrando aulas de inglês. Tive oportunidade de ser seu aluno e lembro-me bem de um professor enérgico, mas, que tinha capacidade ímpar de ensinar já que, mesmo ensinando a língua dos norte americanos, em certos momentos, também ensinava o castelhano.

Entretanto, quanto aos demais citados não tive muito contato e por isso não sei muito sobre  a vida pessoal deles. Sei que, tanto o Coliante, como o Cachi (ou Caxi), eram pais de alguns rapazes da época com quem eu costumava jogar algumas ‘peladinhas’ de rua. O Bauer, por exemplo, foi um dos expoentes do futebol amambaiense, por ter atuado no elenco do famoso Milionário, na época do saudoso Ernesto Landolf. Lembro-me que o Bauer é filho do Cachi, aquele paraguaio que tinha uma quitanda bem em frente à Praça Coronel Valêncio. O Coliante era um sapateiro que tinha seu estabelecimento bem perto da escola Estadual Felipe de Brum.

 

O Benitez era aquele zagueirão que frequentou o elenco do Milionário. O homem era firme na sua hora. Não era qualquer centro avante que conseguia driblá-lo. Ele chegava firme e espanava a bola junto com o adversário. Acho que ele também foi trabalhador da Prefeitura de Amambai.

Entretanto, o paraguaio que mais marcou minha vida de amambaiense foi o Marcemílio. Acho que muitos daqueles que moraram em Amambai e que eram garotos naquela década de 60-70, hão de se recordar dos momentos em que eram levados pelos pais para cortar o cabelo. O Marcemílio era proprietário de um único estabelecimento de corte de cabelo. Cortar o cabelo naquela época era algo traumático e de repúdio. Momento de desespero.  Era semelhante ao dia em que a meninada era levada pelos pais para tomar a vacina contra a varíola.

Ele não possuía muita técnica para fazer a manutenção nos seus aparelhos de corte de cabelo. Lembro-me da máquina prateada. Um utensílio com dois cabos que se prendiam entre os dedos daquele algoz. A máquina era dotada de dentes que, com a compressão dos dedos, fissuraram os fios de cabelo. A expressão correta seria de que aqueles dentes eram comprimidos e cortavam o cabelo. Ocorre que a máquina, com o passar do tempo não mais cortavam, visto que a falta de manutenção dos seus dentes, acabavam por puxar, arrancar, fissurar os fios de cabelo. Era uma dor que ainda não esqueci. Como meu pai sempre fazia a opção de que o corte fosse ao estilo americano, com o intuito de que a volta ao ‘barbeiro’ fosse mais demorada e mais econômica, jamais eu poderia passar por um sofrimento menos severo, visto que o corte poderia ser à base, exclusivamente, de tesoura, com uma dor menos angustiante.

Outro fator que me arrepiava quando ia fazer o corte de cabelo está relacionada com a localidade de trabalho de Marcemílio. Seu estabelecimento era bem próximo do cemitério. Como algumas vezes eu deparei com os naturais ‘enterros’ de ocasião, que sempre traziam dor na alma, essa era outra faceta que me aterrorizava no dia em que tinha de passar por esse sacrifício. Assim, no dia de cortar o cabelo eu sempre torcia por duas coisas boas, as máquinas estarem bem lubrificadas (afiadas)e não haver nenhum ‘enterro’ (ou funeral).

Esses cortes de cabelo marcaram tanto em minha memória, que dia desses quando estava cortando o cabelo, diante dessas atuais máquinas elétricas, onde o único incômodo é o suave barulhinho, aliviei-me com o comentário sutil de que a evolução dos tempos evita a dor e traz conforto. Evidente que aquele que fazia o corte de meu cabelo não entendeu bulhufas o que eu estava dizendo, mas logo eu emendei que estava lembrando quando era moleque e cortava meu cabelo lá com o Marcemílio.

Não sei se alguns deles ainda são vivos, mas, acredito que essas lembranças só elevam o grau de contribuição que tais pessoas deram para o município de Amambai. Eles são lembrados como trabalhadores que distribuíram exemplos de trabalho e de perseverança, no sentido de que Amambai pudesse ser servida pelas suas mãos, cada um a seu jeito, ou com seu trabalho de intelectualidade, como foi o caso de Antônio Delgado.




Imagens

Monumento na entrada de Amambai

Comentários (1)

Enviado por: Valdir, em: 01/11/2012 21:01
Machado, fui para Amambai em 1982 (se a memória não estiver falhando). Após conclusão do NPOR (Núcleo de Preparação de Oficiais da Reserva), fiz estágio de 45 dias no quartel local. Tinha um Tenente doidão (metido a corredor) que nos apresentou Amambai correndo. Tenho grandes lembranças da cidade.

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